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Crédito menor, mas mais caro
O mês de janeiro é atípico no que diz respeito à demanda de crédito pelas pessoas jurídicas (PJs), cujas necessidades sofrem forte redução. No caso das pessoas físicas (PFs), a situação é inversa - as famílias precisando de apoio financeiro depois dos gastos elevados de final do ano anterior. Isso se reflete nas operações de crédito que aumentaram apenas 0,9% no primeiro mês do ano. O crédito com recursos livres (70,7% do total) caiu 0,3% para PJs, mas aumentou 2,5% para PFs.
No caso das pessoas jurídicas, houve queda de atividades no mês, como mostram as operações de desconto de duplicatas - 8,3% a menos do que em dezembro. No das famílias , houve aumento de 8,3% na modalidade cheque especial e de 3,3% na do cartão de crédito, o que reflete claramente as dificuldades para honrar compromissos que as obrigam a recorrer a operações de alto custo. Restrições das autoridades monetárias ao crédito consignado para aposentados privaram muitos deles de se financiarem com custo baixo.
A inadimplência das pessoas jurídicas não aumentou, mantendo-se em 2% do total dos empréstimos, mas a das pessoas físicas aumentou 0,1 ponto porcentual (pp), representando 7,1% dos créditos.
A redução do volume de créditos para as empresas não impediu aumento de 1,8 pp no custo dos empréstimos que, em média, ficaram em 24,7% ao ano, para uma inflação que está prevista em 4,5%.
No caso das famílias, o aumento médio foi de 4,9 pp, para 48,8% ao ano, e no crédito pessoal o aumento foi de 7,3 pp em relação a dezembro: 6,9 pp para o cheque especial e 2,4 pp para a aquisição de veículos.
Esses aumentos preocupantes foram explicados pela elevação do IOF (de 1,5% para 3,38%), pelas dificuldades de captação externa e pela incerteza acerca da crise norte-americana. Isso se traduziu em aumento de 3,4 pp do spread dos bancos, o que parece indicar que a supressão da CPMF não teve efeito prático no custo do dinheiro.
A situação, em fevereiro, parece mudada no que respeita ao volume de crédito, que até dia 14 do mês aumentou 2,5% para as pessoas físicas e 4,1% para as jurídicas.Todavia, continua aumentando o custo do crédito, com uma elevação geral de 1,1 pp, sendo 1,8 pp para as famílias.
Como as operações de longo prazo para as famílias aumentaram 4,2% em janeiro e o custo do crédito continua a subir, poderá haver problemas em futuro próximo.
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