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Julio Mesquita
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  'Ponho a mão no fogo pela lisura de Matilde'

ENTREVISTA: Edson Santos, ministro nomeado da Igualdade Racial

Rosa Costa, Brasília

O deputado Edson Santos (PT-RJ), de 53 anos, deixa claro que não quer que sua gestão no Ministério da Igualdade Racial seja marcada pela polêmica, como foi a de sua antecessora, Matilde Ribeiro. Ele aborda a questão racial de forma menos conflituosa e prefere não discutir os cartões corporativos. Santos chega ao ministério com apoio do PT.

Como Matilde, o sr. também acha que não é racismo quando um negro se insurge contra um branco?

Não, de forma nenhuma. Eu não recomendo isto, acho que não é apropriado. O ser humano tem de tratar com carinho e amor outro ser humano, independentemente da cor da sua pele. O racismo existe quando há manifestação de um segmento no sentido de anular ou discriminar outro, como ocorreu na Alemanha nazista, na Bósnia, na África do Sul.

O sr. vai usar cartões? Como vê as denúncias sobre seu uso indevido?

Vou atender as recomendações do governo sobre o uso de cartões. Vai começar uma CPI no Congresso e o governo está fazendo ajustes. Prefiro esperar pelo resultado para formar meu juízo. No caso da ministra Matilde houve o uso do cartão no free shop, mas ponho a mão no fogo pela lisura dela. Entendo que ela buscou se comportar dentro do estabelecido pela administração.

O sr. diz que o Brasil não é a democracia racial que se imagina. A discriminação pela cor cresce?

Não. Acho que houve avanço, só que é um processo. O ideal é que tivéssemos a igualdade entre negros e brancos, mulheres e homens. Mas não chegamos a este ponto.

O bom desempenho do senador negro Barack Obama nas primárias nos EUA tem repercussão no Brasil com relação à questão racial?

Tem. No imaginário das pessoas mostra a potencialidade de o negro ocupar espaços importantes na vida pública. No passado, quando uma pessoa negra buscava ocupar uma função pública, dizia-se que tinha algum defeito de cor. O que acontece hoje nos EUA certamente vai influenciar positivamente no imaginário das pessoas aqui.

   


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