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  O adeus do francês Henri Salvador, um fã do Brasil

Inspirador da bossa nova e apaixonado pelo Rio e pela MPB, ele tinha 90 anos e morreu em conseqüência do rompimento de um aneurisma

Lauro Lisboa Garcia

Inovador de estilos, inspirador da bossa nova, voz de veludo são alguns dos predicados atribuídos ao cantor francês Henri Salvador, que morreu ontem em Paris, aos 90 anos, vítima de aneurisma cerebral. Salvador despediu-se do público francês em dezembro passado, com um concerto no Palácio de Congressos em Paris. Famoso não apenas pela voz arrebatadora, mas pelo largo e contagioso sorriso, Salvador era apaixonado pelo Rio e pela música brasileira. Em seu álbum Révérance, de 2006, gravou duetos com Gilberto Gil e Caetano Veloso, que já o haviam homenageado em canções, como em Reconvexo ('quem não sentiu o suingue de Henri Salvador'). Com arranjos de Jaques Morelenbaum, o CD teve várias faixas gravadas no Brasil.

link Ouça trecho de Une Chanson Douce, com Henri Salvador

Diz-se que sua canção Dans Mon Žle (de 1957 e gravada por Caetano nos anos 80) teria sido uma das grandes influências de Tom Jobim (e de outros músicos brasileiros que a ouviram no filme Nuits d'Europe) na criação da bossa nova. 'Quando Jobim viu aquilo, disse: 'É o que temos de fazer, suavizar o tempo do samba e agregar belas melodias'', assegurava Salvador. 'Se dão conta? Um movimento musical mundial, tudo isso por causa de um pequeno bolero composto no camarim do Teatro Alhambra', acrescentava, rindo.

Ele chegou a morar no Brasil por quatro anos na década de 40. Depois só voltaria para a gravação de Révérance. Na ocasião, ele se encontrou no Rio com George Henry, com quem trabalhou na orquestra de Ray Ventura, durante a 2ª Guerra Mundial, quando morou aqui. Salvador também foi homenageado imprimindo suas mãos na Calçada da Fama em Ipanema. 'Estou me sentindo um pouco mais brasileiro', disse então.

A vontade de voltar ao Brasil era latente. No site de vídeos YouTube há um registro de seu encontro com Rosa Passos, em Paris, em que ele revela o desejo de cantar com ela no Brasil. Ao saber da morte de Salvador, Rosa lamentou a perda. Ambos gravaram juntos Que Rest-t-il de nos Amours, no álbum Amorosa. A versão francesa do CD tinha Wave (Tom Jobim), com Henri cantando em português com ela. 'Éramos muito amigos, me deu tanta força em Paris. Que pena. É uma perda grande', disse.

Nascido em 18 de julho de 1917 na Guiana Francesa, Salvador mudou-se para a França com a família aos 7 anos e construiu sua carreira em Paris. Formado na escola dos grandes músicos do jazz americano, como Django Reinhardt, Salvador, além de grande cantor, era excelente guitarrista e tinha como característica marcante a polivalência artística. 'Fiz jazz, esquetes, canções divertidas, cantinelas, music-hall, televisão', costumava dizer.

Com o escritor e compositor Boris Vian, Salvador introduziu o rock na França em 1957 com Rock and Roll Mops. Entre as mais de 400 composições que assinou, interpretou ou colaborou, Salvador fez sucesso com Syracusa, Zorro Est Arrivé, Le Lion Est Mort ce Soir, Mais Non Mais Non e várias outras.

   


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