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Rodinhas de laptop em vez do velho violão
‘Plugados’ acampam no concreto da Bienal
Gilberto Amendola, SÃO PAULO
O segundo andar do prédio da Bienal, no Ibirapuera, virou acampamento de aficionados por tecnologia. Esqueça o mato, a fogueira e o violãozinho. Para os “campuseiros” da primeira edição nacional da Campus Party (encontro de interessados em internet, robótica, games etc., que teve sua primeira edição na Espanha, em 1997), a natureza deveria ter dotado as árvores de tomadas.
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São cerca de 1.800 pessoas em 900 barracas. Apesar de padronizadas por um dos patrocinadores, as tendas foram customizadas - principalmente com camisas de times de futebol e bandeiras do MST.
Os aventureiros tecnológicos acampam até domingo. Muitos vieram de outros Estados e países para assistir a palestras e conferir os avanços da computação. “Tem roqueiro, punk, nerd e todas as outras tribos”, diz Rafael Bispo, de 24 anos, que veio de Sergipe. “Nunca acampei no mato. Prefiro esse prédio.”
A reportagem procurou as mais festejadas no ambiente, as mulheres. “É, não tem muita menina, não. Mas os meninos estão se comportando. Acho que têm até um pouco de medo”, diz a cearense Michelle de Lima, de 18. “Meu namorado está no Ceará.”
Mas não deve demorar para que os nerds consigam se dar bem. Corre o boato - espalhado pelos blogs - de que vai ter um casamento no acampamento. O problema vai ser organizar a festa: bebidas alcoólicas e cigarros estão proibidos, mas a rapaziada tem dado um jeito de fumar escondido.
A primeira noite rendeu reclamações. As garotas acharam os banheiros “abertos demais” e as duchas, fracas. Mas a reclamação mais comum foi outra: “O chão do prédio da Bienal é frio e duro. Fica difícil dormir”, diz Ericles Rodrigues Souza, de 21, que veio de Tocantins. “Até as 4 h, tinha gente acordada. Rodinhas se formaram em torno de laptops, o pessoal mostrava blogs, vídeos e músicas”. O único ponto negativo: “Todas as meninas já estavam acompanhadas”.
A Campus Party promove debates sobre inserção tecnológica, software livre, criação e desenvolvimento de ferramentas para internet. Mas o que mais chama a atenção são os jogos. O mais poderoso é um de luta chamado Kung Fu Kick Ass. Os participantes têm seus movimentos filmados e transferidos para o jogo. As viúvas do Counter Strike, recentemente proibido, têm se divertido com similares como Unreal Tournament 3 e o Call of Duty. O tiroteio está rolando solto na Bienal.
GLOSSÁRIO
Casemod: modificação do formato do gabinete onde as peças estão instaladas
Noob ou N00b: programador iniciante, que não tem familiaridade com linguagens para produzir softwares de computador
Lol: abreviação de ‘laughing out loud’ (rindo muito alto), utilizado quando alguém escreve algo que acha engraçado
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