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Quinta-feira, 31 janeiro de 2008   edições anteriores
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  45 oficiais pedem exoneração do cargo

Operação-padrão afetou quatro batalhões de manhã; governador afirma que só 'meia dúzia quer o confronto'

Clarissa Thomé, Alexandre Rodrigues, Wilson Tosta e Thalita Figueiredo

Um dia após demitir o comandante da Polícia Militar do Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB) enfrentou ontem um motim na corporação. Quarenta e cinco coronéis e tenentes-coronéis entregaram os cargos e pelo menos quatro batalhões não colocaram soldados nas ruas pela manhã. O motim, chefiado pelo Grupo dos Barbonos - oficiais que exigiram aumento de salário e agora pedem a cabeça do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame -, põe em xeque o setor de segurança às vésperas do carnaval.

Cabral afirmou ontem que “meia dúzia” de policiais quer “o confronto, a balbúrdia e a desordem na PM, mas não vai conseguir”. Ele reiterou apoio a Beltrame, que falou em promover “uma mudança na essência” da corporação. “O carnaval está garantido, a PM estará nas ruas”, afirmou o secretário. À noite, 200 oficiais se reuniram em assembléia e baixaram o tom nas exigências ao governo.

Por causa das ações de insubordinação, o Estado antecipou para ontem a posse, prevista para hoje do novo comandante da PM, coronel Gilson Pitta Lopes, que ocorreu sob tensão e num gabinete fechado. “Nunca, nos 200 anos de história da Polícia Militar, houve uma troca de comando sem a tropa formada”, criticou o presidente da Associação de Oficiais Militares do Estado (AME), coronel da reserva Dilson Anaide.

Surpreso com a nomeação de Pitta, um Barbono, Anaide primeiro questionou sua legitimidade. “Ele sempre esteve presente nas reuniões e quebrou unilateralmente o compromisso que tinha com os demais coronéis (de não assumir o comando no atual governo). Vai ter de explicar por que roeu a corda.”

À noite, quem mudou de opinião foi Anaide, na assembléia. “Aceitamos o comando legítimo. A nomeação do coronel Pitta é legal, mas pediremos que o secretário fique afastado da negociação (salarial).”

A assembléia foi o ato final de um dia cheio de idas e vindas. Pela manhã, não saíram às ruas policiais de pelo menos quatro batalhões - 13º (Praça Tiradentes), 18º (Jacarepaguá), 17º (Ilha do Governador) e 39º (Belford Roxo). Mas o serviço foi retomado à tarde.

No caso dos oficiais também houve recuos. A pressão do governo provocou baixas num grupo de 40 oficiais, que tinham assinado na terça-feira manifesto contra a exoneração do comandante Ubiratan Ângelo e contra a punição dos colegas que participaram de uma passeata por reajuste salarial no Leblon no domingo. Desses, só 29 protocolaram pedidos de exoneração dos cargos de chefia. Mas à tarde outros 16 oficiais apresentaram pedidos de exoneração.

Segundo a AME, todos os comandantes das unidades médicas e dos 12 batalhões do Rio se demitiram. Entre os oficiais que voltaram atrás estão o ex-diretor geral de Finanças, coronel Carlos Jorge Ferreira Fogaça, e o coronel Adilson Teodoro Soares. O primeiro teria sido nomeado chefe de gabinete de Pitta e Soares, subchefe do Estado-Maior. “Não queremos falar em traição, mas esse comportamento é, no mínimo, estranho”, disse um oficial que preferiu não se identificar.

Amanhã, policiais farão manifestação na Praia de Copacabana, afixando na areia 586 cruzes em memória ao número de colegas mortos de 2004 a 2007. Uma reedição do protesto do Leblon, estopim da crise que levou à exoneração de Ubiratan, que sabia da manifestação e não a proibiu.

A recondução de Ubiratan ao posto, aliás, era uma das exigências dos oficiais para permanecerem nos cargos. “A decisão de tirar o comandante foi tomada, não pretendo voltar atrás. Se eles entregarem os cargos, vão ser substituídos”, disse Beltrame, que descartou a possibilidade de pedir a intervenção das Forças Armadas. Ele disse que considera justa a reivindicação salarial, mas criticou os métodos do movimento, que “tenta se fortalecer politicamente”. COLABORARAM

   


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