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Julio Mesquita
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Domingo, 27 janeiro de 2008   edições anteriores
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  Arquitetura do futuro

O impacto de projetos assinados por arquitetos como Frank O. Gehry e Rem Koolhaas provoca um tsunami editorial, começando com um livro do italiano Leonardo Benevolo, lançado agora

Antonio Gonçalves Filho

Numa época em que a arquitetura ganha status de espetáculo com os projetos faraônicos de Frank O. Gehry e Daniel Libeskind, pensar no impacto ecológico que essas novas estruturas provocam no meio urbano é tarefa para profissionais. Um deles é o respeitado crítico e historiador italiano Leonardo Benevolo, de quem a editora Estação Liberdade acaba de lançar A Arquitetura no Novo Milênio (tradução de Letícia Martins de Andrade, 496 págs., R$ 86). Entrevistado pelo Estado, Benevolo mostra-se preocupado com as experiências arquitetônicas emergentes no mundo e os modelos de urbanização abusivos que ameaçam o futuro das metrópoles. O estudioso italiano, obviamente, não é o único. Centenas de estudantes e profissionais de arquitetura dividem com Benevolo as mesmas inquietações, despertando o interesse das editoras brasileiras por ensaios e livros teóricos de arquitetura. Nunca o mercado editorial brasileiro viu surgirem tantas obras sobre o assunto.

É certo que editoras como a Perspectiva, detentora de outros títulos fundamentais de Benevolo (A Cidade e o Arquiteto, entre eles), publicam livros de arquitetura já há algum tempo, mas o fenômeno das coleções inteiras dedicadas ao tema é recente. Existiam, ao lado de estudos teóricos sérios como os da Perspectiva, Martins Fontes e Cosac Naify - para citar apenas três editoras -, publicações esparsas com muitas imagens e pouca reflexão, mas agora a aposta vai em outra direção. É o caso da Estação Liberdade, que lança em breve uma coleção escrita por arquitetos refletindo sobre a própria obra. Serão seis livros só este ano, de um estudo assinado pelo português Álvaro Siza, Imaginar a Evidência, ao desafiador A Ética de Construir, do italiano Mario Botta, passando por obras clássicas de Lissitzky e Le Corbusier ou de contemporâneos brasileiros - Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha, entre eles.

Títulos estrangeiros já começam a ser disputados nas feiras internacionais. Em contrapartida, brasileiros já são vendidos para editoras estrangeiras. No primeiro caso está o cobiçado Nova York Delirante, do holandês Rem Koolhaas, hoje um dos mais conceituados inovadores da arquitetura européia, que só perde em citações para Norman Foster no livro de Benevolo. Na última feira de Frankfurt, editores brasileiros brigaram para ter o título. Venceu a Cosac Naify, que conseguiu trazer Koolhaas para sua coleção Face Norte. Ela vai publicar ainda este ano textos selecionados de Lina Bo Bardi e Flávio Motta. A mesma editora vendeu para a italiana Rizzolli os dois livros que publicou sobre o arquiteto paulistano Paulo Mendes da Rocha, ganhador há dois anos do prêmio Pritzker.

A procura por títulos brasileiros tem feito com que as editoras produzam edições bilíngües, como as de Mendes da Rocha ou as da coleção Portfolio, lançada pela J.J. Carol, que já tem 25 volumes. Cinco novos serão lançados este ano, entre eles um dedicado ao arquiteto Ruy Ohtake, que assina um texto nesta edição sobre os novos rumos da arquitetura. Monografias sobre o trabalho de arquitetos brasileiros não eram comuns até a década passada, quando as editoras passaram a destacar o trabalho individual desses profissionais. Hoje, várias editoras e institutos publicam livros dedicados a eles, entre os quais o mais disputado é, claro, Niemeyer. O Instituto Tomie Ohtake coloca esta semana no mercado o luxuoso volume Niemeyer - 100 Anos, 100 Obras. A Cosac Naify, que já publicou o estudo de David Underwood (Oscar Niemeyer e o Modernismo de Formas Livres no Brasil), lança ainda este ano um volume (Oscar Niemeyer - Fortuna Crítica) organizado por Carlos Alberto Ferreira Martins. Ele traz tudo o que foi escrito sobre Niemeyer no Brasil e exterior, dos anos 1930 até hoje.

Os resultados dessa investida do mercado editorial são animadores. Alguns títulos da Martins Fontes, como História Crítica da Arquitetura Moderna, de Kenneth Frampton, já vendeu mais de 15 mil exemplares. Com o mercado abastecido de estudos clássicos, as editoras partem agora para os livros que analisam o futuro da arquitetura, como os de Leonardo Benevolo. Chega ainda este ano às livrarias o estudo do espanhol Rafael Moneo, Inquietude Teórica e Estratégia Projetual na Obra de Oito Arquitetos Contemporâneos. O livro analisa a arquitetura de herdeiros da tradição moderna (Álvaro Siza), “inovadores” (Norman Foster) e “impacientes” (Frank Gehry), para seguir a divisão de Benevolo.

   


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