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Abadía oferece US$ 40 milhões por extradição. Juiz rejeita
Em nota, magistrado repudia proposta do traficante e diz que ela viola soberania do Brasil
Rodrigo Pereira
O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, rejeitou ontem a proposta de acordo de US$ 40 milhões feita pelo megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía e emitiu nota pública repudiando a postura do colombiano no tribunal. No comunicado, o magistrado afirma que “a Justiça não deseja dinheiro”, alega que a proposta do traficante estaria “violando a soberania do Brasil” e acusa Abadía de “não estar disposto a colaborar, mas apenas impor a condição de se afastar de presídio federal, de não cumprir pena no Brasil, mas apenas nos Estados Unidos, além de desejar a extinção ou absolvição de sua pena e de sua mulher”, Yéssica Paola Rojas Morales.
Segundo o juiz, Abadía procurou a Polícia Federal, no dia 20 de dezembro, para dizer que tinha “informações valiosas a serem prestadas sobre o tráfico internacional de drogas” e entregar “a quantia de US$ 40 milhões que se encontraria no Brasil”. Pediu audiência com o juiz para formalizar tudo em um acordo de delação premiada.
O magistrado atendeu Abadía no recesso do Judiciário, no dia 28 de dezembro, com a presença do chefe da PF em São Paulo, Jaber Saadi. Nesse dia, anotou o juiz, “o preso foi devidamente cientificado (...) que não caberiam mentiras, afirmações dúbias e justificativas sem qualquer argumento razoável.”
A postura de Abadía na audiência de ontem, negando-se a detalhar sua atuação no Brasil, suas ligações com a Colômbia ou com os Estados Unidos e a apontar demais integrantes da quadrilha irritou o juiz, que rechaçou qualquer acordo, por avaliar que o traficante manipulou informações para barganhar benefícios.
Ontem, a oferta de Abadía oscilou entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões em dinheiro, além da garantia de que um comparsa se entregaria à Justiça brasileira e três à norte-americana.
A procuradora da República Thaméa Danelon Valliengo lamentou o desfecho do encontro. “Esse dinheiro poderia ser revertido a obras sociais, a ONGs, à segurança dos presídios. Seria um valor que a sociedade brasileira não poderia abrir mão”, justificou. “Claro que a PF continua investigando para ver se descobre o paradeiro desses valores”, concluiu.
“Não se pode imaginar que o dinheiro, dinheiro esse que está à disposição do acusado desde sempre, pudesse acarretar decisão benéfica da Justiça”, justificou o juiz. “Não está em causa o destino do dinheiro, mas sim o interesse da verdade de alguém que deseja falar de espírito aberto, que deseja contribuir de fato e não usar da delação para um benefício.”
O advogado de Abadía, Luiz Gustavo Bataglin, disse que seu cliente “colaborou sempre” e que os pedidos eram “benefícios singelos e razoáveis”. Bataglin disse que aguardava cópia da decisão para preparar recurso nos tribunais superiores.
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