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Febre amarela obriga Goiás a intensificar vigilância
Rubens Santos, GOIÂNIA
A morte do peão João Batista Gonçalves, de 31 anos, está obrigando as autoridades de saúde a intensificar ações para evitar a febre amarela urbana. Para impedir a proliferação da doença, extinta há 65 anos no Brasil, o Estado de Goiás montou uma operação de guerra. Além de atacar os hospedeiros naturais - macacos e mosquitos -, pretende vacinar 802.946 pessoas, 15% da população.
Goiás é tido como zona endêmica da febre amarela silvestre devido às grandes extensões de matas existentes na região Centro-Oeste. “O Ministério da Saúde convocou todos os Estados a enviarem suas doses de vacina contra a febre amarela”, diz o secretário de Saúde, Cairo de Freitas. Segundo ele, os 15% da população a serem vacinados foram estimados pelo ministério, que se propôs também a liberar 1,5 milhão de doses de vacina.
A estimativa se refere ao número de pessoas que não teriam sido vacinadas contra a febre amarela nos últimos dez anos.
A operação de guerra começou no dia 2. Além da vacinação, o Estado atua em outra frente de trabalho para impedir a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da febre amarela nas zonas urbanas, e que está presente em 242 dos 246 municípios: em Goiânia, a prefeitura está retirando toneladas de lixo que são despejadas nas ruas todos os dias pelos moradores.
Municípios vizinhos a Goiânia, como Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade, São Miguel do Passa Quatro, Hidrolândia, Goianira e Bela Vista estão em alerta pelo registro de macacos mortos. No Estado, até o mês passado, foram localizados 80 macacos mortos - os macacos e os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabetes são os principais hospedeiros da febre amarela silvestre.
Devido à pizootia - a ocorrência de mortes de macacos sob suspeita de febre amarela -, 39 municípios goianos estão em alerta, inclusive na vizinhança do Distrito Federal. São os casos de Água Fria, São João da Aliança, Formosa e Alto Paraíso.
Estão sob vigilância as cidades de Planaltina e Formosa, além das localidades de Uruaçu, Lago de Serra da Mesa, Fazenda Mariquita, Vista Alegre e Chapada dos Veadeiros.
Também estão em alerta os municípios que ficam às margens do Rio das Almas e seus afluentes mais próximos, como é o caso de Capão Grande - nas cercanias do povoado de Monte Castelo, divisa com Rianápolis.
Segundo a Secretaria de Saúde de Goiás, há novos casos graves. Em Jaraguá, cidade que fica à beira da rodovia Belém-Brasília (BR-153), a 150 quilômetros de Goiânia, 13 macacos foram encontrados mortos.
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