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  Interior de SP vai testar carteiras informatizadas

Rede municipal de Serrana usará mesas com caneta ótica e internet

Tatiana Fávaro

Alunos de quatro salas de aula da rede municipal de ensino de Serrana, cidade da região de Ribeirão Preto, a 315 quilômetros de São Paulo, serão os primeiros do País a trocar, em março, os cadernos, canetas e lápis convencionais por carteiras informatizadas.

O equipamento - desenvolvido pelo Centro de Pesquisas Renato Archer (Cenpra), de Campinas, em parceria com a Associação Brasileira de Informática (Abinfo) e com o apoio da Ciatec (incubadora de empresas da prefeitura de Campinas) - é uma carteira do tamanho de uma mesa de colégio convencional, com um tampo de vidro e um monitor LCD de 15 polegadas. A tela pode ficar na posição vertical ou horizontal. O equipamento tem um teclado, processador e fica sobre um suporte de madeira.

De acordo com o pesquisador Victor Pellegrini Mammana, do Cenpra, a tecnologia totalmente brasileira patenteada no Brasil e Estados Unidos permite o uso de uma caneta ótica sobre um vidro. “É um vidro simples, para ter baixo custo, mas especial porque é coberto com um filme transparente condutor de eletricidade”, explicou Mammana.

Ao tocar a caneta nesse vidro, a criança tem a sensação de estar escrevendo no monitor. “Acho que vai ser mais fácil de estudar lendo na tela do computador. Às vezes, dá preguiça de pegar no livro”, contou a estudante Elisângela Gabriel Monte Mor, de 13 anos, aluna da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Celina Walter de Assis, onde serão instalados os primeiros equipamentos.

Três protótipos da carteira estão em teste em Brasília, na sede do Ministério da Educação (MEC), na cidade de São Paulo e em Serrana. Segundo o diretor de Projetos e Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Serrana, Miguel João Neto, cada um dos 140 Lap Tup-niquim, como é chamado o equipamento, custará R$ 1 mil à prefeitura. O dinheiro para a instalação da primeira leva já está previsto no Orçamento do município. Serrana é uma das cidades da região que mais investem em educação, isso em níveis comparáveis ou até mesmo superiores aos de investimentos no setor feitos por cidades com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no País, segundo o Centro de Estudos e Pesquisas em Gestão Industrial (Cepegi).

A pesquisa, divulgada em novembro do ano passado, mostra que o investimento médio em educação em cidades com os maiores IDHs do Brasil é de 13%. São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, o primeiro colocado no ranking 2002 do IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), apresentou um índice de 0,919. Serrana ficou com 0,775. A cidade, mostra o levantamento, investiu 17,4% em educação. O porcentual de 25% previsto na Constituição, explica o diretor, se completa com investimentos em autarquias e em outros setores da educação. Segundo dados da prefeitura, os números absolutos representaram investimento de R$ 15,9 milhões em educação em 2007.

MOTIVAÇÃO

“Vimos o equipamento em um dia de exposição na escola, mas não sabemos ainda usá-lo. Mesmo assim, temos a expectativa de que isso se torne um atrativo para os alunos e torne o processo educacional mais eficaz, dê mais motivação aos estudantes”, afirmou a professora Angélica Cristina Corbacho do Vale, da EMEF Maria Celina.

A tecnologia já foi testada na Universidade de São Paulo (USP) em equipamentos para tratamento de crianças com deficiência física, em testes com urnas eletrônicas e também por um grupo de psicologia experimental que trabalhou com motricidade humana na Universidade Estadual Paulista (Unesp), segundo informou Mammana. “Essa configuração de carteira digital é uma inovação não só no País, mas no mundo”, afirmou o representante do Cenpra. Os pesquisadores ainda estudam a capacidade de armazenamento da nova mesa. “A criança poderá escrever como se estivesse usando um caderno. Uma grande crítica ao computador na escola é a perda do contato com a caligrafia, o que não ocorrerá com a carteira informatizada.”

Além de armazenar o material produzido nas aulas, o aluno poderá consultar a internet em suas pesquisas. Com processador AMD de 1 Ghz e 512 de memória RAM, os computadores funcionam em redes sem fio. Segundo informações da Secretaria de Educação de Serrana, técnicos contratados aproveitam o período de férias para instalar as redes Wi-Fi e de fibra ótica necessárias para receber os equipamentos.

O coordenador-geral de Programas e Tecnologia Educacional do MEC, Antonio Carlos Alves Carvalho, disse que o projeto é interessante, mas viabilidades técnica, pedagógica e financeira precisam ser testadas à exaustão. “Por enquanto, estamos trabalhando com protótipos e construímos parcerias para testar os equipamentos. Por conta de uma semana de testes, técnicos já fizeram alterações de hardware e software. Ainda não podemos dizer, com segurança, que é uma alternativa pronta para ser usada”, afirmou o especialista.

Carvalho disse que os testes pedagógicos com aplicação nas salas de aula serão feitos após as baterias de exames técnicos. “Esse tipo de idéia sempre interessa, pois pode somar no uso de tecnologia da educação. Mas precisamos saber a funcionalidade e testar efetivamente o equipamento.”

   


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