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Sábado, 5 janeiro de 2008   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Capital brasileiro no exterior cresce 121% em 5 anos

Total passou de US$ 68,59 bi para US$ 152,21 bi entre 2001 e 2006

Adriana Fernandes

Com a maior inserção do Brasil no mercado internacional, as empresas brasileiras e pessoas físicas que moram no País mais que duplicaram o seu patrimônio no exterior nos últimos anos. Entre 2001 e 2006, o estoque desses investimentos cresceu 121,9%, de US$ 68,59 bilhões para US$ 152,21 bilhões. As empresas detêm US$ 122,8 bilhões do total e US$ 29,4 bilhões estão com pessoas físicas.

Os dados estão no 6º Censo de Capitais Brasileiros no Exterior, divulgado ontem pelo Banco Central (BC). Ele mostra que somente de 2005 para 2006 o estoque de ativos brasileiros no exterior cresceu 36,2%. A maior parte teve como destino os chamados paraísos fiscais. Ilhas Cayman, Bahamas, Bermudas e Ilhas Virgens Britânicas receberam US$ 73,66 bilhões. Por causa de facilidades tributárias nesses países, os investidores os utilizam para fazer transações antes de o capital chegar ao destino.

Para o consultor de negócios internacionais da Trevisan Consultoria, Pedro Raffy Vartanian, o uso de paraísos fiscais para operações de pagamento é legal e utilizado não só por brasileiros. “É muito mais fácil e barato fazer o pagamento por esses países”, disse Vartanian. Segundo ele, boa parte dos investimentos recebidos pelo Brasil também faz esse caminho.

Para Vartanian, os investimentos brasileiros no exterior devem superar os US$ 200 bilhões em razão de operações recentes da Vale, CSN, Embraer e Cosan. Ele ressaltou que essa expansão vai estimular ainda mais a economia brasileira, com o ingresso dos lucros obtidos por esses investimentos.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima, o censo mostra o fortalecimento da economia e a maior internacionalização das empresas, sobretudo a partir de 2005 com a aceleração do crescimento econômico.

Segundo Lima, os dados reforçam a tendência de crescimento de investimentos pelos países emergentes, principalmente entre aqueles localizados na mesma região. Com o Brasil, não foi diferente. De 2001 para 2006, o estoque de investimentos brasileiros nos países da América Latina subiu de 14,1% para 17,3% do total. Argentina, Uruguai e Chile foram os países da região que mais atraíram o capital brasileiro. Os setores de petróleo, bancos, construção, seguros e previdência e serviços prestados por empresas foram o alvo principal do capital brasileiro.

Os Estados Unidos continuaram destaque no destino de capitais brasileiros. A partir de 2004, a Dinamarca juntou-se ao grupo dos maiores receptores. Segundo Vartanian, a Dinamarca entrou porque “é como se fosse um paraíso fiscal”.

   


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