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  Incêndio mata 8 em cadeia de MG

Rayder Bragon, BELO HORIZONTE

Oito detentos morreram durante um incêndio que destruiu uma das celas da cadeia pública de Rio Piracicaba (127 quilômetros de Belo Horizonte). Um curto-circuito provocado por “gatos” (ligações elétricas improvisadas) feitas pelos presos teria causado a tragédia, segundo informou a Polícia Militar de Minas. No momento do incêndio, a cadeia, que tem capacidade para 18 detentos, abrigava 22 presos.

O fogo começou por volta das 20 horas de anteontem e foi provocado por fios que estavam sobre colchões. As chamas se propagaram rapidamento e atingiram os beliches, obrigando os presos a se refugiarem no banheiro. Eles ainda tentaram debelar as chamas com copos de água.

Parentes de detentos relataram que o carcereiro não estava no local, o que impossibilitou ao único policial que fazia a guarda externa da cadeia a abertura da cela.

Com marretas, militares e moradores tentaram socorrer os presos abrindo uma parede situada nos fundos da cadeia que faz divisa com uma casa. Mas, quando chegaram ao banheiro, os presos já estavam mortos. Possivelmente as oito vítimas morreram intoxicadas pela inalação da fumaça, conforme relatos dos policiais. A cidade não conta com unidade do Corpo de Bombeiros, e um caminhão-pipa da prefeitura teve de ser utilizado para acabar com as chamas.

Cinco dos presos mortos deveriam estar cumprindo pena em penitenciárias por já terem sido condenados pela Justiça.

Parentes afirmaram que a cadeia não tem condição de abrigar presos e, anteriormente, parte do teto havia desabado em uma das celas. Exaltados, alguns dos parentes disseram que irão processar o Estado e cobrarão indenizações alegando negligência. Também questionaram a falta de inspeção nas celas para coibir os “gatos”.

“Não sei como eles (policiais) deixaram entrar fios elétricos dentro das celas, pois os presos poderiam até se enforcar com esse tipo de material, ou atacar colegas de prisão com os fios,” disse Josiene Dorneles, prima de uma das vítimas. Ela reiterou a denúncia apurada pela reportagem do Estado, na qual existiriam aparelhos de TV, rádios e videogames dentro das celas, além de os detentos utilizarem orelhões postados na rua da cadeia para fazer ligações para os familiares. No mesmo prédio, funciona a delegacia de polícia da cidade.

Os corpos dos oito mortos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte, pois Rio Piracicaba, cidade de 14 mil habitantes, não dispõe desse serviço. Dos sobreviventes, sete detentos foram transferidos para a cadeia de João Monlevade e os outros sete para o albergue de Rio Piracicaba.

Peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais deslocaram-se ao local e o laudo sobre as causas do incêndio deve sair nos próximos dias.

   


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