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  Policiais são denunciados por seqüestro e achaques

Eles ameaçavam forjar flagrante de tráfico se não recebessem R$ 50 mil

Marcelo Godoy

Uma quadrilha formada por policiais civis e militares e informantes foi denunciada anteontem pelo Ministério Público Estadual (MPE) por seqüestro e por achaques a um casal. Durante um ano, o grupo ameaçou forjar prisões em flagrante, sob a acusação de tráfico de drogas. O alvo do bando, segundo os promotores, era Márcio da Costa, o Merenda, “conhecido nos meios policiais como usuário e traficante de drogas”. Seis acusados - dois policiais militares, um investigador, um ex-policial e dois comerciantes - foram presos em flagrante pela Corregedoria da Polícia Militar. Eles se faziam passar por policiais do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) para amedrontar ainda mais as vítimas.

A denúncia do MPE contra os acusados foi apresentada à 24ª Vara Criminal. As investigações começaram em novembro, quando a mulher de Merenda, Renata dos Santos Rosetti, procurou a corregedoria, pois ela e o marido estavam cansados de ser vítimas do grupo, que agia desde outubro de 2006. O ex-policial Pérsio Phloervídio Pedroso, o sargento Jefferson Luiz Antônio Claro Fausto e um terceiro integrante do bando ainda não identificado chegaram, às 23h30, a uma casa na Rua João Cabanilla, no Jaraguá, zona oeste de São Paulo. Estavam atrás de Merenda.

“Aqui é o Denarc, vamos fazer uma busca, que a casa caiu”, disseram os policiais. Como não acharam nada, os acusados teriam dito que iam forjar um flagrante de tráfico contra Merenda, se ele não desse R$ 50 mil. Para garantir o pagamento, seqüestraram a vítima, que foi colocada num Palio. Pelo celular, o grupo manteve contato com Renata para que ela reunisse o dinheiro. Ela contou que só conseguiu R$ 8.100, entregues como resgate do marido na manhã seguinte.

SEQÜÊNCIA

Segundo o MPE, em uma segunda extorsão, o grupo se apoderou de um Palio de Merenda e exigiu R$ 10 mil para devolvê-lo. O dinheiro foi pago. Em outra ocasião, tomaram R$ 25 mil.

Merenda foi novamente abordado pelos policiais em outubro. O sargento, segundo a acusação, abordou a vítima quando saía de casa. Exigiu que Merenda lhe passasse o número de telefone, mas recebeu um número errado. No dia seguinte, o policial voltou e exigiu o número verdadeiro. “A partir disso, a vítima começou a receber telefonemas ameaçadores”, diz a denúncia do MPE.

O grupo exigiu R$ 50 mil para que não se forjasse um flagrante de tráfico de drogas contra Merenda. No dia 21 de novembro, Renata decidiu procurar a corregedoria. Disse que policiais fardados estavam usando viaturas da PM para exigir dinheiro. Naquele dia, os achacadores haviam telefonado para o marido e marcado um encontro às 12 horas no Habib’s da Avenida General Edgar Facó, em Pirituba, zona oeste.

Os policiais da corregedoria foram até lá e presenciaram o encontro. O ex-policial Pedroso, o sargento Fausto e o soldado Ednilson Mariano chegaram em um Palio. Disseram à vítima que ela tinha “uma dívida” com o grupo. À noite, os corregedores foram à casa de Merenda esperar os policiais. Enquanto conversavam com ele, um dos acusados telefonou e exigiu que, no dia 27, a vítima fosse à mesma loja do Habib’s e entregasse os R$ 50 mil.

No dia 27, Merenda foi entregar o dinheiro, acompanhado pelos homens da corregedoria comandados pelo tenente Giampaolo Donato Giaquinto. O ex-policial Pedroso chegou à lanchonete com o investigador Geisson Pereira Ramos e os comerciantes Ricardo Batista Tinoco e Raul Manoel Mendonça. Pedroso disse que eles estavam ali para garantir o pagamento.

Merenda apanhou o dinheiro e o entregou a Pedroso. Nesse momento, homens da corregedoria lhe deram voz de prisão. O ex-policial sacou a arma e atirou. Os corregedores reagiram e acertaram seis tiros no acusado. Os outros três foram presos sem reagir - eles alegaram inocência e disseram que não sabiam o que Pedroso ia fazer na lanchonete. Mas, segundo o MPE, eles também haviam ido à casa de Merenda com os demais acusados. Os PMs foram presos no mesmo dia. A corregedoria apura a participação de outros policiais.

   


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