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'Vamos lutar por títulos em 2008'
Atleta elogia evolução da equipe em 2007, diz que vaga na Libertadores será prêmio justo e aposta em sucesso no próximo ano
Juliano Costa
O futuro de Edmundo ainda é incerto. O jogador diz que até agora não foi procurado pela diretoria do Palmeiras para renovar seu contrato. Enquanto isso, diz, em entrevista ao Estado, que vai se concentrar em ajudar o time a garantir classificação para a Taça Libertadores.
Conquistar a vaga na Libertadores terá o mesmo gosto de ganhar um título?
É diferente. Depende da época, depende da situação. Se você tem um time forte, luta pelo título e não consegue, fica um sentimento de frustração. Mas se você precisa combater uma série de dificuldades, com um time ainda em formação, a Libertadores é um prêmio. Vai coroar o trabalho de um ano inteiro e permitir a continuidade dele. Antigamente, o segundo lugar era considerado o primeiro dos últimos. Hoje, com esse campeonato de pontos corridos, o segundo, o terceiro e o quarto também são premiados. É a valorização do trabalho.
E você? Sente-se valorizado?
Sim, muito. Nessa altura da carreira, seguir num time como o Palmeiras, lutando por um objetivo alto como a Libertadores, é muito gratificante.
Aos 36 anos, ainda tem ansiedade antes de um jogo como esse, contra o Inter?
Claro! Passamos o ano inteiro ouvindo que o jogo mais importante do ano era o jogo seguinte, e agora, finalmente, temos a certeza que isso é verdade.
Qual o maior mérito deste grupo do Palmeiras?
É a união. Não sei se é o time mais unido que eu já vi, mas todos se gostam e se respeitam. É um grupo que é a cara do Caio Júnior: sério, competente, trabalhador. Isso se reflete no trabalho. Esta semana, o time reserva ganhou dois coletivos do titular. Isso é bom! É um grupo jovem, com gente querendo um lugar ao sol.
É mais fácil jogar num time assim, com jogadores ainda lutando por um espaço?
Antes achava que basta os jogadores serem bons para tudo dar certo. Hoje vejo que não é bem assim. É preciso união e respeito.
Você se sente mais respeitado?
Não sou só eu, os jogadores em geral hoje são mais respeitados. Antigamente, pai nenhum queria ver o filho virando jogador. Era difícil até para as namoradas e esposas de jogadores. Hoje é o contrário: todo mundo quer ser jogador. Mas, por outro lado, sinto que o que conta é o dinheiro. Eu ainda peguei o fim da época em que se jogava por amor ao clube. Hoje é por dinheiro, o que não é ruim, mas apenas diferente.
Independentemente da vaga na Libertadores, como você analisa o ano de 2007 para o Palmeiras?
Foi ótimo. No fim de 2006 o Palmeiras não tinha nada. Agora, tem um grupo forte, com uma espinha dorsal bem definida. Em 2008, esse time pode ser cobrado a nível nacional. O Palmeiras vai entrar nas competições lutando por títulos, com a chegada de reforços.
Quantos?
Uns dois ou três. Mais do que isso vai depender se muita gente sair. Mas aí já é um assunto da diretoria.
E a sua situação? Já resolveu?
Nada. Ninguém falou comigo.
Mas você se vê no Palmeiras em 2008? Faz planos?
De que jeito? Ninguém vem falar comigo!
Isso te chateia?
Futebol é assim. Isso é normal. Sinceramente, tem coisa mais importante pra se preocupar.
Como o quê, por exemplo?
A classificação. Se Deus quiser, em 10 dias, estará tudo resolvido. Aliás, pode dar certo já domingo. Tomara mesmo que a gente ganhe do Inter e o Cruzeiro perca para o Sport.
E como você avalia seu ano?
O primeiro semestre foi muito bom, mas o segundo foi cheio de problemas. Tive duas lesões sérias e uma suspensão de dois jogos que quebrou minha expectativa inicial de fazer um bom Brasileirão. Mas agora me sinto bem de novo. A Libertadores seria ótima para coroar o trabalho.
E fora de campo?
Fiquei chateado com situações na imprensa. Dei uma entrevista de uma hora e meia para uma rádio, mas só levaram ao ar um trecho de quatro minutos em que eu reclamava de salários atrasados. Levei porrada de todos os lados. Sinceramente, não posso mais desperdiçar uma hora e meia da minha vida.
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