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  Kassab corre para shopping e discursa contra 'bandido'

Avisado sobre contrabando durante vôo de helicóptero, ele cancelou agenda para atacar Law diante das câmeras

Ana Carolina Moreno, Bruno Tavares e Alexssander Soares

Seis horas antes da prisão de Law Kin Chong, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) fez um discurso inflamado contra o empresário chinês. “Senhor Law, São Paulo não o quer aqui, queremos pessoas que paguem impostos e trabalhem sério. O senhor é um bandido, como todos sabem, e se não sair pode sair no camburão. Muito em breve o senhor voltará à cadeia.” Kassab não estava sendo profético. A bordo do helicóptero que o levaria a uma rádio em São Paulo, foi informado de que policiais haviam acabado de encontrar grande quantidade de mercadorias pirateadas no interior do shopping popular.

O prefeito não hesitou. Mudou seus planos e seguiu imediatamente para o Pari, onde ocorria a operação. “A ida dele era uma criar uma forma de chancelar o sucesso da operação”, comentou um assessor do Executivo. “Duvido que o discurso tenha sido ensaiado. Mesmo porque, se tivesse sido feito, o tom não deveria ter sido aquele. O prefeito se excedeu um pouco.”

Sentado sobre uma montanha de produtos pirateados - que, segundo a Polícia Federal, seriam suficientes para encher cem caminhões -, Kassab comandou o fim da operação diante das câmeras de televisão. O prefeito chegou ao shopping mais de duas horas após o início da operação. Desde as 6h30, a força-tarefa formada por 15 pessoas - entre fiscais da Subprefeitura da Mooca e das Secretarias de Habitação e Transportes, além de promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil - inspecionava as instalações.

Além de constatar a falta de alguns alvarás, o que já impediria o prosseguimento da obra, os fiscais encontraram lojas abertas e mudanças não previstas no projeto original. Mas só depois de apreender a mercadoria falsificada é que o Executivo decidiu acionar as Polícias Federal e Fazendária.

A presença do prefeito fez aumentar o número de órgãos na operação, o que levou o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Roberto Salvador Scaringella, e determinar a interdição de um quarteirão da Rua Alexandre Pedroso, que fica nas imediações do shopping popular.

PROMESSAS

Apesar do sucesso da operação, montada no dia anterior pelo secretário da Habitação, Orlando Almeida, e pelo subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, Kassab disse não estar contente com o que viu. “Não é motivo de orgulho. (A ação) mostrou que tem um bandido que insiste em ficar em São Paulo”, disse Kassab, depois de fazer duas promessas. “Enquanto eu for prefeito, isto aqui (o shopping popular) não abre. E iremos atrás de todos os empreendimentos deste bandido, que merece ser preso.” Questionado sobre as dificuldades da Prefeitura em fiscalizar o andamento de obras na capital, Kassab preferiu não responder.

   


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