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Terça-feira, 16 outubro de 2007   edições anteriores
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  Perícia vê falha em freio de carreta

Veículo que atropelou multidão em SC tinha lona gasta; suspeita-se de mangueiras de ar soltas

Darci Debona

A perícia do caminhão Mercedes-Benz que atropelou uma multidão na BR-282 (SC) há uma semana, nos acidentes em seqüência que deixaram 27 mortos e 90 feridos, apontou problemas no sistema de freios do reboque. “As lonas de freio do primeiro eixo estavam em más condições”, afirmou o perito Luiz Almir Maran, que não quis adiantar informações sobre as conseqüências disso. “Ou as lonas se danificaram na tentativa de frear ou estavam gastas”, afirmou um dos mecânicos que auxiliaram na perícia e preferiu não se identificar.

O perito, entretanto , adiantou que no segundo eixo do reboque as lonas de freio estavam boas. Ele não confirma, mas há suspeita de alguns motoristas que estiveram no local do acidente de que as mangueiras de ar do sistema de freios de dois eixos estavam “isoladas”, ou seja, desconectadas, prejudicando a frenagem. Maran disse que o trabalho está só começando e dificilmente conseguirá terminá-lo antes de dez dias.

A tragédia ocorreu na noite de terça-feira passada, quando um grupo de pessoas estava na estrada, socorrendo as vítimas de um primeiro acidente entre um ônibus e um caminhão, que, depois do choque, haviam rolado uma ribanceira. Nessa colisão morreram sete pessoas. Cerca de duas horas depois, o caminhão dirigido por Rosinei Ferrari rompeu barreiras de sinalização e atropelou as pessoas que estavam na pista, matando mais 20 pessoas. Na ocasião, o motorista disse que os freios falharam.

O perito já começou a analisar o tacógrafo, mas o resultado só deve sair juntamente com o laudo da perícia do caminhão. Maran não confirmou que a carreta estivesse a mais de 100 quilômetros por hora na BR-282. Ontem, também começaram a ser ouvidas as testemunhas do acidente. O escrivão da Delegacia de Descanso, Cláudio Barp, teve de interromper as férias para começar a tomar os depoimentos, juntamente com o delegado Rudinei Charão Teixeira. Foram ouvidas três pessoas até o início da tarde. Barp disse que até agora os depoimentos não acrescentaram novidades ao que já é conhecido.

POLÍCIA

O delegado de Maravilha, Rodrigo Barbosa, que investiga a tragédia, ressaltou que apenas o resultado da perícia indicará se houve falha mecânica ou não.

   


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