| |
Crianças que querem fazer a diferença
Elas pensam em política e solidariedade
Marici Capitelli e Fernanda Aranda, SÃO PAULO
Eles são diferentes. Ou melhor, fazem a diferença na comunidade em que vivem. São crianças que, como as demais, gostam de brincar e fantasiar. Só que, além disso, também fazem por vontade própria ações para transformar a sociedade. Costumam surpreender os pais com suas preocupações sociais.
“Estou convencendo as minhas amigas que precisamos pintar as paredes da escola que estão sujas e horríveis. Dá vergonha de estudar lá.” Quem está mobilizando a turma para a limpeza de uma escola estadual no centro é Nathália Rodrigues Abreu. A idade da organizadora: 7 anos. Um dos seus assuntos favoritos é política. “Gostaria de conversar com o José Serra para investir mais em educação.” O presidente Lula não escapa: “Ele diz que governa para pobres. Mas quantas crianças estão nas ruas?”
Já às terças nem adianta convidar Gregório Camacho Marin, de 12 anos, para a pelada de futebol. O dia está reservado para o trabalho voluntário que o garoto realiza há dois anos na creche Miguel Franchini Neto, Zona Sul. “Eu venho aqui e me divirto tanto! Brinco com eles e o meu maior prêmio é ver tantos sorrisos estampados ao mesmo tempo.” Gregório estuda no colégio particular Magno e foi lá que foi convidado a destinar uma parte da sua semana para fazer o bem.
Enquanto a maioria das crianças passa horas na frente da TV ou do computador, Gabriela Moura, de 9 anos, faz algo bem diferente: é militante dos direitos dos animais. Ela recolhe assinaturas para que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheça os direitos dos bichos, freqüenta feiras de adoção de cães e gatos e cuida da bicharada que resgata da rua. Na escola, onde cursa a 3ª série, ainda causa polêmica. Em discussões sobre rodeios, faz questão de mostrar aos amigos que não é justo divertir-se às custas do sofrimento dos animais.
|