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Julio Mesquita
(1891-1927)
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Domingo, 23 setembro de 2007   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Como os bancos lucram

Pesquisa mensal de uma associação de executivos financeiros (Anefac) mostrou que os juros cobrados das pessoas físicas e jurídicas caíram em agosto e, em alguns casos, foram os menores da série histórica da entidade, iniciada em 1995. Mas a queda das taxas para os tomadores é ínfima quando comparada com o forte recuo dos juros pagos a aplicadores.

Taxas entre 100% ao ano e 260% ao ano são praticadas com regularidade, por mais absurdas que sejam se cotejadas com a inflação de 4% e com a taxa Selic de 11,25% ao ano.

Para as pessoas físicas, os juros mensais cobrados no comércio caíram de 5,99% para 5,97% ao mês; no cheque especial, de 7,71% para 7,67%; nos empréstimos pessoais passaram de 5,34% para 5,31% ao mês, nos bancos, e de 11,32% para 11,27% ao mês, nas financeiras. No cartão de crédito não houve cortes - o juro médio continuou em 10,27% ao mês.

Somente nas operações de crédito ao consumidor (CDC) dos bancos o juro apurado foi menos escorchante: caiu de 3,05% para 3,01% ao mês (42,74% ao ano). Na média, as taxas para pessoas físicas, em financeiras e bancos, recuaram de 7,28% para 7,25% ao mês (de 132,39% ao ano para 131,62% ao ano).

Parte do juro alto se explica pelo desconhecimento dos tomadores da taxa real que vão pagar - ou seja, não aprenderam a fazer contas -, como revelam pesquisas. Além de verificar se a prestação cabe no salário, seria preciso avaliar as alternativas ao crediário, como economizar por algum tempo e depois comprar à vista. Adiar o consumo estimularia o hábito de poupar e induziria os bancos a reduzir taxas.

É evidente que a propensão ao consumo é grande nas faixas de menor poder aquisitivo. Algumas só há pouco adquiriram condições de abrir um crediário e adquirir bens essenciais ao bem-estar, à saúde ou ao trabalho, como geladeiras, TVs, computadores e telefones. A questão é o quanto pagar para ter acesso antecipado a esses bens.

Outro fator que explica as taxas elevadas é a concorrência imperfeita. Na falta de instituições dispostas a adotar políticas agressivas de corte de juros para ganhar mercado, a tendência é as taxas caírem lentamente. Entre agosto de 2006 e de 2007, o juro básico caiu de 14,25% ao ano para 11,25% ao ano (-21%), enquanto o juro médio cobrado das pessoas físicas caiu de 137,65% ao ano para 131,62% ao ano (-4,3%). Isso explica os lucros dos bancos.

   


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