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Dininho, o artista verde: 50 jogos
Zagueiro, que atinge marca significativa hoje contra o Atlético-PR, é craque em caricaturas
Daniel Akstein Batista
O zagueiro Dininho comemora. A partida de hoje contra o Atlético-PR, às 16 horas, em Curitiba, será a de número 50 com a camisa do Palmeiras. Um feito que merece ser festejado, em época em que jogador troca de time constantemente. Com uma caricatura especial, por que não? E realizada pelo próprio atleta.
Além de enfrentar atacantes, o atleta dá uma de artista. O zagueiro Edmilson é um dos ‘alvos’ prediletos. Edmundo e Valdivia também já entraram na onda. Assim como Marcos e Caio Júnior. O Palmeiras todo está na ponta do lápis de Dininho. O jogador de 32 anos não perdoa ninguém. Sobra até para os médicos, massagistas e roupeiros do clube. Todos se divertem com as caricaturas feitas pelo camisa 3 palmeirense.
No armário de Dininho no CT do Palmeiras, lápis e papel dividem espaço com a chuteira. Antes ou depois dos treinos, no vestiário mesmo, o zagueiro põe as habilidades artísticas em ação. E muitos companheiros pedem para ser desenhados.
Com menos de uma semana no time principal, o atacante Luís já se sentia em casa. E, para falar do bom ambiente do clube, não teve dúvida em apontar com quem mais se divertia. “O Dininho fica desenhando a gente. E desenha bem.”
O leitor pode conferir nessa página que o garoto palmeirense tem razão. Nela, caricaturas de Valdivia, Edmilson e Edmundo (na prancheta do zagueiro, desenhado pelo ilustrador do Estado Baptistão). Mas vamos ser sinceros: o chileno não está assim tão parecido, está? “No, No”, diz El Mago, na risada. “Está mais bonito, na verdade”, brinca Dininho.
Os desenhos costumam ganhar elogios. E até gozação. “É fácil de fazer o Edmilson: é só desenhar uma cabeça grande”, diverte-se o artista. “Ele falou que ficou grande, mas é que tive de fazer em duas folhas.”
Dininho conta quem são os atletas mais fáceis de ir parar no papel. “O Edmundo, porque tem a testa e o nariz grandes; o Tiago Gomes, por causa do queixo...” E Caio Júnior. “Ele usa óculos, é fácil de fazer”, explica o zagueiro. “Comecei a desenhar o Caio, mas ele ameaçou: ‘se fizer, vai cair’”, diz. “Até entreguei, mas não sei se ele jogou fora. A dele é preciso caprichar pra não ficar feio.” O treinador elogia os desenhos do atleta, mas nega que tenha recebido uma versão sua.
Das caricaturas, Dininho pretende agora começar a desenhar - e pintar - quadros. “E tenho vontade de fazer um curso, para ganhar técnica. Penso em fazer agora, mas isso exige tempo e bastante aula.”
O zagueiro começou cedo a colocar traços no papel. E afirma que nunca decepcionou. “Desde o prézinho fui bom no desenho. É um dom. Fazia sempre os trabalhos para a escola, em cartolina. As duas aulas a que eu nunca faltava eram Educação Artística e Educação Física. Sempre gostei”, fala. “Depois que fiquei mais velho, fui aperfeiçoando.”
Em todos os clubes pelos quais passou, o zagueiro e artista pegava seu lápis para desenhar os companheiros. O grafite, aliás, o acompanhou até no Japão, onde atuou antes de chegar ao Palmeiras, no ano passado. “Lá era fácil, é todo mundo parecido”, fala o zagueiro, feliz e ansioso em atingir os 50 jogos pelo time paulista. “Quero chegar a 100. Quem sabe?”, diz. “E também ser campeão aqui.”
A paixão por desenhos é tão grande que, sempre que comemora aniversário e dá festa, Dininho chama um profissional para fazer caricaturas em sua casa. Garante que nunca vendeu nenhum de seus rabiscos. E prometeu ao Estado que fará um desenho especial caso o Palmeiras seja campeão brasileiro. “Faço até um outdoor”, brinca. A torcida alviverde só lamenta que essa obra não deva sair. Afinal, a briga do time é pela vaga na Taça Libertadores, não mais pelo título.
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