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Domingo, 9 setembro de 2007   edições anteriores
METRÓPOLE
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  56% dos turistas vêm a SP para lazer

Capital dos negócios atrai também com musicais, restaurantes e compras

Valéria França

Duas notícias que podem parecer estranhas à maioria dos paulistanos. A primeira: São Paulo está se firmando como destino de lazer entre brasileiros e estrangeiros. Nem mesmo o trânsito caótico e a violência das ruas da cidade espantam esse turista, que já representa 56% do total de visitantes. Comer um pastel de bacalhau no Mercado Municipal, no centro, passear entre as vitrines das maiores grifes do mundo na Rua Oscar Freire, nos Jardins, assistir ao musical Miss Saigon - um dos maiores sucessos da Broadway, visto por mais de 33 milhões de pessoas em 25 países - e jantar em restaurantes com qualidade e serviço de primeiro mundo são algumas atrações que fazem de São Paulo um destino cada vez mais interessante.

Agora, a segunda notícia: o turista fica tão feliz com a cidade que vai embora com intenção de voltar. O nível de satisfação é de 94%, segundo a São Paulo Turismo (SPTuris), órgão oficial da Prefeitura. O resultado saiu de uma pesquisa realizada com 1.324 viajantes que procuraram as cabines de informações turísticas espalhadas pela cidade, em 2006. A maior parte é formada por brasileiros e, entre eles, os cariocas são os que mais visitam São Paulo.

'Praia eu vejo todo dia, há 22 anos. Eu adoro, mas é ótimo passar uns dias numa cidade tão moderna, cosmopolita e sofisticada como São Paulo', diz o carioca Daniel Carvalho, estudante de Direito, de 22 anos, que vem a São Paulo ao menos duas vezes por ano. 'O Rio é uma cidade muito grande e badalada. São Paulo tem tudo isso e mais. Tem Burger King e Starbucks, por exemplo. Além disso, oferece serviço e qualidade internacional. Sou mais bem tratado em São Paulo do que no Rio.'

Da última vez, Carvalho veio a São Paulo acompanhado de dois amigos e da namorada, Vivian Oberhofer, de 22 anos. 'Ela ficou deslumbrada com a Oscar Freire', diz ele. 'Ela disse que moraria nos Jardins facilmente.' Vivian mora num apartamento em Ipanema, que, apesar de ser um bairro nobre da zona sul do Rio, tem proximidade com favelas, além de muitos mendigos e pivetes nas ruas. 'Nos Jardins nós saímos com mais tranqüilidade. Ali, a impressão que tive é de maior qualidade de vida. E quanto à praia, é só pegar o carro e em 50 minutos chega-se a Santos.'

O estudante de Direito está abaixo da faixa etária da média do turista que viaja para São Paulo por lazer. A maior parte, 48%, tem de 25 a 39 anos . E desembolsa até R$ 800 por dia. É empregado fixo e já leu bastante sobre a cidade. Viaja com um roteiro preestabelecido.

A mineira Glaucia Ferreira Scarpelle, de 32 anos, de Barbacena (MG), aproveitou o feriado prolongado para conhecer São Paulo. Chegou na quinta-feira, junto com o marido, o médico Ricardo Augusto Baeta Scarpelle, de 31, e trouxe uma lista de endereços a serem desbravados. 'Quero andar pela Avenida Paulista, conhecer o Masp (Museu de Arte de São Paulo) e experimentar as guloseimas das padarias da região. Em Belo Horizonte, não temos padarias assim', diz ela, filha de portugueses que já tiveram um restaurante típico.

REGIÕES

De acordo com especialistas, escolher uma região é uma forma de aproveitar mais a visita. 'São Paulo é como uma grande pizza. Você saboreia em pedaços', diz Orlando de Souza, presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau. 'Moema, Jardins, e Vila Madalena são bairros diferentes e igualmente interessantes.'

Segundo ele, ao escolher uma região, o turista consegue ter o domínio do espaço, sente-se mais seguro e livre para experimentar novas sensações. 'É por isso que o turista sai satisfeito e com vontade de quero mais.'

NÚMEROS

5,7
milhões é o total de ingressos vendidos a turistas desde que 'O Beijo da Mulher Aranha' estreou em 2001

38%
dos turistas estrangeiros são da Europa

450 hotéis
estão espalhados pela capital. Há opções para todos os bolsos, de acomodações supereconômicas à categoria butique


FRASES

Daniel Carvalho

Estudante carioca
“Praia eu vejo todo dia, há 22 anos. Eu adoro, mas é ótimo passar uns dias numa cidade tão moderna, cosmopolita e sofisticada como São Paulo.”

Glaucia Scarpelle
Professora mineira
“Quero andar pela Avenida Paulista, conhecer o Masp e experimentar as guloseimas das padarias butiques. Nem em Belo Horizonte temos padarias assim.”

Alfons Reixach
Empresário espanhol
“Nem Barcelona tem essa diversidade culinária.”

Demircan Vahit
Executivo belga
“O paulistano é muito educado, se esforça para entender e ajudar.”

Núria Reixach
Consultora de marketing espanhola
“Buenos Aires é mais européia. A gente se sente em casa. Mas São Paulo é muito diferente de tudo.”

   


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