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Armado, menor dominou mãe de João
Acareação aponta que Carlos Eduardo, irmão de E., de 16 anos, é o ‘cérebro’ do bando e dirigiu Corsa; ele nega
Clarissa Thomé, RIO
Carlos Eduardo Toledo de Lima, de 23 anos, dirigia o Corsa roubado em que o menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, foi morto após ser arrastado preso ao cinto de segurança por sete quilômetros, há uma semana, na zona norte do Rio, segundo a polícia. Ele nega a acusação, mas foi apontado ontem como o motorista pelos outros três detidos que confessaram participação. Os quatro foram indiciados por latrocínio, formação de quadrilha armada e corrupção de menores. Somados os crimes, as penas individuais podem chegar a 40 anos de prisão.
Durante a acareação, Carlos Eduardo negou participação no crime. Mas a namorada dele, K., em depoimento à polícia, invalidou o álibi do rapaz ao negar que tivesse passado a noite do crime com ele.
Depois da acareação dos envolvidos no crime, o delegado Adilson Palácio, da 30ª Delegacia de Polícia, revelou a participação de cada um no roubo ao carro e morte do menino. Por essa versão, os cinco acusados, um deles com 16 anos, chegaram ao local do crime no táxi dirigido por Tiago Abreu Matos, com Carlos Roberto da Silva no banco do carona e os outros três no banco de trás.
O táxi parou na frente do Corsa da mãe do menino, Rosa Cristina Fernandes Vieites. O menor E., armado, rendeu Rosa. Carlos Eduardo assumiu o volante do Corsa com Diego Nascimento da Silva sentado ao seu lado. Tiago, assustado, fugiu correndo, e Carlos Roberto passou a dirigir o táxi, resgatando o comparsa mais na frente. No Corsa, o menor E. ficou no banco traseiro e passou a arma para Diego. Este, no banco do carona, apontava o revólver, ameaçando motoristas que tentavam emparelhar com o veículo roubado, avisando sobre o garoto pendurado pelo cinto. Foi ele quem gritou que tratava-se de um “boneco de Judas”.
O delegado Adilson Palácio, responsável pela acareação, que durou cinco horas, contou que Carlos Eduardo se manteve ameaçador durante o encontro. “O irmão (E.) foi o único que o inocentou porque tem medo dele. Carlos Eduardo é o mais articulado, é o cérebro do grupo.” A acareação entre os cinco suspeitos do crime terminou num bate-boca entre os quatro maiores de idade. Inicialmente, eles não queriam falar com os repórteres, mas Tiago quebrou o silêncio. Disse que não viu quem dirigiu o Corsa. Logo começaram as acusações mútuas. “Quero a minha morte ainda hoje se eu estava naquele carro. Estão me acusando por eu já ter tirado cadeia. Eu sou pai também. Já fiz muita coisa errada, mas sou inocente nessa história”, disse Carlos Eduardo.
Provocado, Diego reagiu: “Carlos Eduardo dirigiu o carro”. Ele negou ter comparado João Hélio a um “boneco de Judas”. Carlos Eduardo, então, jurou não saber dirigir. Tiago disse que foi ameaçado por Carlos Eduardo: “Você ameaçou todo mundo de morte”. Eles ficaram algemados lado a lado.
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