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  De renegado a ídolo, garoto agora espera a seleção

No Porto, o jovem craque sequer ficava no banco; no Werder Bremen alemão é o cérebro do time

Almir Leite

Cinco meses atrás, o garoto Diego andava amuado. Encostado no Porto, sentia-se 'triste e humilhado'', na definição de seu pai e empresário, Djair Ribas. Nem parecia aquele menino de futebol vistoso que aparecera no Santos em 2002, com apenas 17 anos, ao lado de Robinho. A marcante alegria de seus tempos de Vila Belmiro desaparecera.

O garoto estava inconformado, inquieto. Não sabia por que, de uma hora para outra, passara de titular absoluto a um zé ninguém no Porto. Resolveu, então, dar uma guinada na vida e na carreira. Trocou Portugal pela Alemanha, assinou contrato de quatro anos com o Werder Bremen e logo virou o 'Super Diego'', como é chamado pela revista especializada Sport Bild.

Hoje, Diego é um garoto feliz e confiante. É considerado o principal articulador do bom time do Werder, líder do Campeonato Alemão e dono do ataque mais positivo (21 gols, dos quais 4 do brasileiro, que também fez 7 assistências). Já há torcedor que vai ao estádio principalmente para vê-lo, como deve ocorrer hoje, na partida do Werder contra Mainz, fora de casa, na abertura da nona rodada. 'É gratificante ter o trabalho reconhecido'', diz.

O meia nascido em Ribeirão Preto é ídolo em Bremen, cidade de cerca de 600 mil habitantes. E se faz sempre presente, caminhando pelas ruas ou em peças publicitárias. Diego foi um dos escolhidos para fazer propaganda de uma empresas de calçados que patrocina o Werder. Aparece em fotos e cartazes trajando elegante terno cinza, com gravata verde e, claro, os sapatos do patrocinador.

Em grande fase, Diego voltou a pensar em seleção brasileira - a última de suas 13 convocações foi em fevereiro de 2005 - , agora renovada por Dunga. 'Mas não peço para ser convocado, pois acho que não cabe ao jogador pedir e, sim, mostrar em campo que tem condições de conquistar a vaga'', disse ao Estado.

Talvez o meia não seja chamado para o amistoso de novembro, contra a Suíça, mas, aos 21 anos, se mantiver a boa fase, certamente em 2007 irá integrar não só a seleção principal como a olímpica, que tentará vaga nos Jogos de Pequim, em 2008.

O futebol alemão é duro, difícil, mas você se adaptou rapidamente. A que se deve isso?

O que ajudou é que aqui as coisas são transparentes. E o Werder já havia tentado me contratar quando estava no Santos. Fui para o Porto e não esqueceram de mim. E mesmo estando encostado em Portugal, eles confiaram. A mim, cabe retribuir essa confiança. Está sendo maravilhoso.

No Porto, faltou transparência?

Tudo foi estranho. Estava jogando e de uma hora para outra, nem no banco ficava mais. E ninguém me falou o porquê (na época em que Diego foi barrado o técnico holandês Co Adriaanse disse apenas que estava 'extinguindo' a função tática que ele exercia). Simplesmente fui colocado de castigo.

Teve problema de indisciplina?

Não, não teve. Sempre me portei como profissional. E infelizmente o problema comigo não era só futebolístico. Se fosse, ficava fácil resolver.

Então, por que o castigo? Qual o problema?

Honestamente, até hoje não sei. Só sei que o que fizeram foi me castigar. Às vezes, quando não havia jogador em condições, chamavam atletas do time B e não me relacionavam. Me senti desrespeitado. Ninguém chegou e me disse o que fiz, ninguém teve coragem de me mandar embora. Até que eu decidi sair. Mas isso faz parte do passado.

Falemos de presente e futuro então. E a seleção?

Claro que sonho em voltar a ser convocado.

Você se já acha em condições de reivindicar uma convocação?

Reivindicar? Não. Quero jogar na seleção, mas não peço para ser convocado. Não vejo dessa forma, pois acho que não cabe ao jogador pedir e, sim, mostrar que tem condições de conquistar a vaga.

Na terça-feira, você encontrou o Dunga e o Jorginho em Dusseldorf (num jogo beneficente). Vocês conversaram?

Sim, mas eu não pedi para ser convocado. Isso, o Dunga decide. O meu papel é jogar futebol o melhor que puder.

O que o Dunga falou?

Ele disse que está acompanhando, que devo continuar trabalhando duro.

Mudou alguma coisa em sua maneira de jogar em comparação aos tempos de Santos?

Estou chegando mais vezes na área adversária. Isso é importante para um meia-atacante.

Como está sendo a adaptação aos costumes, ao idioma alemão?

A língua é difícil. Estou fazendo aulas, mas o alemão é bem complicado. Tenho um tradutor, um alemão que está sempre comigo.

E o nível do futebol alemão?

Depois da Copa (a Alemanha foi sede e ficou em terceiro), os alemães estão mais confiantes, interessados. Os campos são maravilhosos, os estádios também, o torcedor apóia e o campeonato é bastante disputado, emocionante.

É gostoso viver em Bremen?

Estou gostando. Moro numa casa confortável, bem equipada, passo o tempo livre com alguns amigos brasileiros que vivem aqui (entre eles o zagueiro Naldo, ex-Juventude, que também joga no Werder), jogo sinuca, fazemos churrasco. E estou conhecendo muitos pontos turísticos de Bremen, como a Catedral (St. Petri Dom).

Está morando sozinho?

No momento sim, mas meus pais e minha irmã vêm sempre que podem. Ah, comigo tem uma senhora brasileira, que me dá uma força. Mas ela vai embora em dezembro.

Está preparado para encarar o inverno? O frio aí não é fácil...

É, já me falaram. Em Portugal eu peguei temperatura baixas, mas foi coisa de 1, 2 graus negativos. Aqui vai ser pior, mas acho que não vou ter grandes problemas.

   


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