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Parte da classe média volta a apoiar presidente
Para especialistas, vantagem mostra que Lula recupera apoio perdido por pouco tempo
Gabriel Manzano Filho
A retomada de vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - dos quase 7 pontos, na votação do dia 1.º, para 11 ontem, nas intenções de voto do Datafolha - foi entendida, por alguns cientistas sociais, como uma simples volta ao cenário dominante da disputa. Para Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), 'foi a classe média que provocou o segundo turno - por causa da denúncia do dossiê Vedoin e por achar que Lula estava de salto alto. Essa turma sentiu-se atendida no debate e voltou a apoiá-lo.' Um universo de apoio que o tucano teve por um breve tempo, diz Figueiredo.
É parecido o raciocínio de Murilo Aragão, da ArkoAdvice. Ele entende que o presidente já tinha uma vantagem confortável e o debate, com o escândalo do dossiê, 'foi a única coisa ruim que lhe aconteceu na campanha, um episódio que ele não conseguiu explicar'. Mas a advertência já cumpriu seu papel: foi assimilada e a vantagem voltou a aparecer. 'Esperava-se, também, uma onda tucana, principalmente em São Paulo, Minas e Pernambuco, mas os aliados de Alckmin não conseguiram produzi-la', diz ele.
A analista Fátima Pacheco Jordão. da FPJ, lembra que cerca de 60% ou mais do eleitorado do presidente 'foi preservado', pois não viu o debate. A chance de mudança só foi posta para os 40% restantes, cuja maioria é do tucano e que o considerou melhor no confronto da TV. 'Assim, não se pode dizer que o debate atrapalhou o candidato do PSDB. Talvez tenha ajudado e impedido que a vantagem de Lula fosse maior no Datafolha de ontem', avisa Fátima. Ela adverte para duas situações. Primeiro, há um fator de identificação entre eleitor e candidato. Muitos eleitores acharam que no debate Alckmin estava mudado. 'É preciso tempo para assimilar e aprovar, ou não, essa mudança'. Segundo, o eleitor está momentaneamente sem a referência do horário eleitoral. E nesse vazio 'atuam os apoios do candidato próximos ao eleitor. Nesse item, Lula está mais bem servido e se beneficiou.'
Os três admitem, no entanto, que o quadro continua indefinido. Pelo Datafolha há 5% que não sabem, mais 4% de brancos e nulos. E dos que votam Lula, 8% admitem mudar de lado. Outros 10% de Alckmin dizem o mesmo. Forma-se um universo próximo dos 15 milhões de eleitores. 'Isso não quer dizer que vão mudar, nem que vão mudar para Alckmin. Apenas que temos um eleitor que é mais volátil, porque tem mais informação', diz Fátima.
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