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ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Velloso ataca política fiscal e Almeida reage: 'Ele erra muito'

Para secretário de Política Econômica, crescimento médio pode ser de 5%

Adriana Fernandes

O especialista em contas públicas Raul Velloso não vê grande possibilidade de o Brasil ter crescimento acelerado e sustentado nos próximos quatro anos. 'Não tem como o crescimento ficar acima de 2% ou 3%', disse ontem o economista em entrevista ao Broadcast Ao Vivo, serviço de notícias da Agência Estado. A afirmação de Velloso foi contestada pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Sérgio Gomes de Almeida. Segundo o secretário, Velloso 'erra muito' e o Brasil tem todas as condições de crescer a uma taxa média de 5% nos próximos cinco anos.

'O Velloso erra demais. A nossa avaliação é completamente diferente. Temos condições favoráveis para crescer muito mais', disse Gomes de Almeida ao Estado. Segundo ele, com o aumento da taxa de investimento, o País pode crescer até mesmo a taxas maiores do que os 5%. Na entrevista ao Broadcast, Raul Veloso afirmou ainda que o resultado das contas públicas em agosto foi provocado por uma 'grande turbinada' dos dividendos dos bancos federais. Ele previu que o resultado fiscal dos próximos meses será pior, pois o ritmo de crescimento das despesas tem sido maior do que das receitas.

Na opinião de Raul Velloso, o cenário aponta para crescimento dos gastos e queda de investimentos. Ele defende uma mudança no modelo atual, que é 'cruel' para o crescimento da economia. 'Hoje temos mais certeza de evolução dos gastos do que da receita.'

Gomes de Almeida disse que Velloso tem errado nas suas avaliações sobre a situação fiscal do País e vai errar de novo ao falar sobre perspectivas de crescimento. Ele ressaltou que o economista já tinha previsto antes que o País entraria num quadro de crise fiscal e o governo não cumpriria a meta de 4,25% do PIB de superávit das contas públicas. 'Os dados não estão corroborando essa avaliação. Onde está a crise fiscal?'

A avaliação de alguns analistas de que o superávit das contas públicas é pré-fabricado também vai se mostrar equivocada, na opinião do secretário. E, ao contrário da avaliação de Velloso, a economia brasileira terá força nos próximos anos, pois a queda dos juros e a situação das contas externas permitem um maior crescimento.

'A inflação dos preços livres está morta. Isso abre espaço para uma redução dos juros que refletirá no crescimento. Poderemos contar com uma taxa de juros significativamente menor', disse Gomes de Almeida. 'Com a inflação que tem hoje, o Brasil se habilita a crescer uma taxa média de 5%.'

Otimista, o secretário disse que o País deve ter como objetivo o crescimento da economia, com políticas claras para o investimento: 'Temos de ter esse objetivo. Um plano de crescimento e de desenvolvimento'. Na avaliação de Gomes de Almeida, o governo já está fazendo isso ao estimular o investimento, indutor do crescimento.

Segundo ele, a proposta do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, para o governo adotar metas de crescimento, precisa ser estudada 'com muita atenção'.

COLABORARAM LUCIANA XAVIER E MARISA CASTELLANI

   


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