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Sábado, 23 setembro de 2006   edições anteriores
METRÓPOLE
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  No Dia sem Carro, o que não faltou foi carro

Adesão a data internacional foi irrisória em São Paulo; congestionamento chegou a 94 km de manhã e 128 km às 18h30

Fabiano Rampazzo

Pelo menos o prefeito Gilberto Kassab (PFL) aderiu ontem ao Dia Mundial Sem Carro. A julgar pelos 94 quilômetros de lentidão em São Paulo, às 9 horas - acima dos 90 km da média das sextas-feiras de 2005 - o dia definitivamente não pegou. 'Esse é o segundo ano e, no início, será mesmo devagar. As pessoas nem têm consciência de que existe esse movimento, é compreensível', disse Kassab, um dos poucos paulistanos que deixaram o carro na garagem.

O prefeito pegou dois ônibus. O primeiro o levou ao Parque do Ibirapuera, para a reabertura do Planetário. No segundo, mais cheio, foi à Prefeitura, no centro. 'Quando os meios de comunicação divulgarem mais, vai dar certo.'

Enquanto isso não ocorre, o que não faltou no Dia Sem Carro foram automóveis nas ruas. Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que mede os índices de poluição na capital, das 11 regiões avaliadas, 9 tiveram a qualidade do ar classificada como 'regular' e duas como 'boa' - índices piores dos que os de quinta-feira. Se ajuda, em Curitiba, a medição parcial da qualidade do ar, feita de manhã, mostrou uma redução de 50% no índice de nitrogênio.

Os secretários Frederico Bussinger (Transportes) e Eduardo Jorge (Verde e Meio Ambiente) seguiram os passos do prefeito. 'Pode ser um dia só, mas é importante', disse Bussinger. Ele andou 40 minutos até a casa do prefeito, no Alto de Pinheiros, onde os dois pegaram, com assessores e jornalistas, um ônibus da linha Heliópolis/Shopping Iguatemi. Quando o veículo parou no Ibirapuera, lá estava Eduardo Jorge, em uma bicicleta.

PEDALADAS

Eduardo Jorge pedalou 15 minutos de casa até o Ibirapuera. Além dele, às 9 horas, um grupo de 20 ciclistas se preparava para iniciar uma 'bicicletada' pela Avenida Paulista - a ação marcaria o início do Dia Sem Carro. Mais uma vez, as adesões foram abaixo do esperado. 'A idéia é conscientizar as pessoas de que uma cidade mais humana é possível. Carro não é tudo na vida', disse o ciclista e técnico em informática William Cruz, de 33 anos. Eduardo Jorge entende que os recursos para a difusão do dia ainda são poucos, 'mas depois da portaria assinada pelo prefeito, oficializando a participação da cidade nesse projeto, isso vai crescer'.

Na bicicletada da Paulista, os motoristas recebiam de cara amarrada a panfletagem dos ciclistas. 'Dia sem carro? Querem que eu vá trabalhar como?', reclamou Eduardo Dionísio, de 45 anos. Apesar disso, os ciclistas conseguiram colocar placas avisando a presença de bicicletas na Paulista, na Brigadeiro Luís Antônio e na frente da Prefeitura.

Em frente do Copan, na Avenida Ipiranga, eles estenderam um pedaço de grama sintética de 20 metros de comprimento. Ao som de música indiana, as vagas de automóveis do canteiro central foram transformadas em espaço 'zen' da metrópole.

Meditação à parte, houve protestos: 'Somos muito desrespeitados. As pessoas pensam que é proibido andar de bicicleta na rua', esbravejou o analista de sistemas André Pasqualini, que pedala cerca de 40 km por dia.

No fim do dia, o evento deu frutos e, às 18h30, registrou-se 128 km de congestionamento, abaixo da média de 159 nesse horário das sextas-feiras.

COLABORARAM GILBERTO AMENDOLA E FERNANDA ARANDA

   


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