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Lounge vira febre, mas às vezes só tem o nome
Em São Paulo, o termo virou moda, mas nem sempre reflete a realidade. Baladas, restaurantes, cabeleireiros e até escolas têm a palavra no letreiro
Natália Zonta
Para um decorador, alguns sofás, um sistema de luz indireta, música baixinha e relaxante são a tradução do espaço que recebe o nome de lounge. Em São Paulo, o termo virou moda. Em uma busca simples pela internet é fácil encontrar pelo menos 40 lugares, entre baladas, restaurantes, cabeleireiros e até mesmo escola infantil, que agregaram a palavra ao seu letreiro. Mas, em alguns, o clima de sala de estar ficou apenas ao nome.
O Staff Bar & Lounge, na Lapa, na zona oeste da capital paulista, é um barzinho simples, daqueles em que você encontra os amigos da vizinhança no fim de semana. Nos fundos, o proprietário montou um pequeno palco e uma pista de dança. Lá, o lounge serviu só para enfeitar a fachada.
"Há três meses, quando comprei o bar, ele já tinha esse nome. Procurei na internet para saber o que era, mas ainda não entendi direito. É tipo um pub, não é ?", perguntou José Carlos Pires Júnior. Para ele, a palavra é diferente e chama atenção.
Lugares mais modernos também aderiram à moda. O recém-inaugurado Tattoo Tattoo Lounge, no centro da cidade, é um mix de estúdio de tatuagem, restaurante e... lounge, é claro. Um grande sofá de canto em uma das salas é a justificativa para o nome da casa. "Acho que dá mais um ar de barzinho, com a luz mais indireta", disse o proprietário, Alex de Oliveira Souza. Mas é justamente nesse lugar, para esticar as pernas e relaxar, onde são feitas apresentações de bandas.
SOFISTICAÇÃO Outra explicação muito usada pelos empresários que aderiram ao lounge são os ares de modernidade que a palavra agrega. "Tudo na nossa escola é contemporâneo, procuramos passar uma imagem de novidade", disse a coordenadora pedagógica do berçário e escola B&B Balou Lounge, Fabiane Guimarães. "Fazemos o possível para que todo o nosso ambiente, logotipo e nome remeta à modernidade", continuou.
O Hair Lounge, um cabeleireiro em Moema, na zona sul, é outro que investiu na tendência. Nas duas sedes do salão, ambas no mesmo bairro, sofás confortáveis e várias chaises longues estão espalhados pelos ambientes. "O segredo está no nome, agora tudo é assim", disse Sérgio Tadao Nacaya, um dos proprietários. Na sala de estar, as clientes podem fazer as unhas e conversar de forma mais confortável. "Outra vantagem é que a pronúncia é fácil. Acredita que teve outro salão que até copiou o nosso nome?".
A empresária Flávia Ceccato, dona do Lov.e Club & Lounge, na Vila Olímpia, foi uma das primeiras a usar o nome. A casa foi aberta em 1998 e projetada por um arquiteto americano. "Começamos a moda e hoje o Lov.e não tem mais nada de lounge, é só danceteria", disse.
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