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Terça-feira, 22 agosto de 2006   edições anteriores
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  Sem Chico e Caetano, Lula encontra artistas no Rio

Presidente faz discurso para 80 pessoas na casa do ministro Gilberto Gil e afirma que as urnas absolverão os petistas acusados de corrupção

Beatriz Coelho Silva

Diante de uma platéia bem menor do que aquela que o ouviu há quatro anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso ontem à noite para artistas na casa do ministro da Cultura, Gilberto Gil, em São Conrado, na Gávea, zona sul. Se, em 2002, o PT precisou de uma grande churrascaria para acomodar 300 convidados, ontem ele se encontrou com cerca de 80 artistas. Por mais de meia hora, Lula citou os feitos de seu governo e ouviu aplausos, mas também reivindicações.

Entre os cabos eleitorais de Lula, o que mais se emocionou foi o músico Wagner Tiso, a quem o presidente agradeceu pelo apoio no momento da maior crise, referindo-se à cassação de José Dirceu. O ator José de Abreu pediu palmas para Dirceu, José Genoino (ex-presidente do PT) e o deputado José Mentor (PT-SP). Nesse momento, Lula saiu em defesa dos companheiros acusados de corrupção: "As urnas os absolverão."

As grandes ausências foram o compositor Chico Buarque, que se justificou dizendo não ter ido em função do ensaio para um show que fará em São Paulo, de sua ex-mulher, a atriz Marieta Severo, e do cantor e compositor Caetano Veloso. Marieta está filmando a versão para o cinema do seriado A Grande Família e afirmou, por sua assessoria, que pretende votar em Lula, mas não quer fazer campanha, por enquanto. Caetano e Chico estiveram no encontro de Lula com os artistas em 2002.

Um dos organizadores do encontro, o presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte), Antônio Grassi, explicou à tarde, antes da reunião, que não se tratava de um encontro formal para a categoria fazer reivindicações. "Esse acontecerá na primeira semana de setembro, quando divulgaremos também o programa de governo." Mesmo assim houve algumas. O compositor Nelson Sargento reclamou da questão do direito autoral e a empresária Taís Mendes, irmã da vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB) - uma das organizadoras da campanha de Geraldo Alckmin no Rio -, pediu mais atenção para a questão da violência.

Estiveram presentes, entre outros, os atores Paulo Betti, Arlete Salles, Renata Sorrah, José de Abreu, Tonico Pereira e Bete Mendes; os músicos Jards Macalé, Jorge Mautner, Rildo Hora, Zeca Pagodinho (com o filho Eduardo), Alcione e Fernanda Abreu; a modelo Luiza Brunet, com o marido Armando Fernandez; o casal de produtores de cinema Lucy e Luiz Carlos Barreto; os cineastas Roberto Farias e Katia Lund; e os teatrólogos Augusto Boal e Amir Haddad.

Gil explicou a ausência do amigo Caetano: "Ele já está brigado com o Lula há muitos anos e não é só uma questão racional, é uma questão de afeto também. Porque política se faz com a razão e com o afeto. Até porque, racionalmente, não há grandes diferenças, pois as questões que qualquer governante enfrenta são as mesmas, o que diferencia é o afeto. Para mim, ao menos, sempre foi assim."

Antigo eleitor de Lula, o poeta Ferreira Gullar já declarou voto no candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. O compositor Aldir Blanc declarou há dias que também não votaria novamente no presidente. A escritora Nélida Piñon, que compareceu a uma reunião de Alckmin no início do mês, disse ainda não ter decidido em quem votar. "Só sei que não quero Lula de novo", disse ao Estado na ocasião.

   


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