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ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Jornais buscam formas de atrair a atenção dos jovens

Pesquisa realizada nos EUA mostra que apenas 6% do público jovem está interessado em notícias

Sam McManis
THE SACRAMENTO BEE
SACRAMENTO, EUA

Conquistar consumidores de notícia jovens é um dos maiores desafios da mídia atualmente. Estudo após estudo, os dados mostram que os jovens americanos (adolescentes e na casa dos 20 e poucos anos) estão ignorando os noticiários em números alarmantes. Segundo uma pesquisa de 2005 da Kaiser Family Foundation, os jovens passam 6 horas e 21 minutos por dia usando a mídia - e, desse tempo, 3 horas e 51 minutos são dedicados à TV. Mas apenas 6% dos entrevistados disseram que assistem ao noticiário.

Várias outras sondagens mostram que os jovens, embora entrem na internet com freqüência, não a usam para obter notícias. E a leitura de jornais entre os jovens tem caído continuamente desde 1972, assim como a audiência de noticiários de redes de TV e a leitura de revistas. A chamada grande mídia tem respondido com várias iniciativas.

PRESENÇA ONLINE

Os jornais metropolitanos vêm aumentando significativamente sua presença online, como uma forma de chegar mais perto dos jovens. Os noticiários das redes e emissoras locais de televisão também respondem. O World News Tonight, da rede ABC, lançou uma transmissão vespertina via internet com a âncora Elizabeth Vargas. O âncora da NBC Brian Williams tem um blog sobre o processo de seleção de notícias. A CBS News lançou um serviço, Assignment America, no qual os espectadores escolhem uma de três idéias de reportagem para que o correspondente Steve Hartman a realize. Várias emissoras disponibilizam vídeos de notícias na internet e algumas oferecem conteúdo pago que pode ser baixado em celulares.

Outras abordagens mais radicais são testadas com o mesmo intuito - atrair a atenção dos jovens. A Gannett, maior rede de jornais dos Estados Unidos, publica tablóides dirigidos aos jovens em uma dúzia de mercados do país. A agência de notícias Associated Press lançou o "asap", um pacote de reportagens impressas e downloads de áudio dirigido ao público de 18 a 34 anos. Até agora, diz o editor do asap, Ted Anthony, 235 jornais assinaram o serviço.

"É uma resposta direta à tentativa do setor dos jornais de atrair esse público", afirma Anthony. "Buscamos uma maneira de levar os jovens de volta ao jornal ou fazê-los visitar pela primeira vez o website do jornal. Textos e fotos, que eram o modo padrão de se contar histórias, deixaram de ser necessariamente o melhor."

INFERIORES

Tudo isso está funcionando? Bem, quando duas dúzias de universitários foram entrevistados para esta reportagem, muitos disseram sentir-se tratados como inferiores pela grande mídia. "Para mim, é mais interessante entrar em fóruns (na internet) e ver o que outras pessoas estão dizendo sobre os eventos atuais do que ouvir durante dois minutos um noticiário que não é muito informativo", diz Taylor Wang, estudante de 23 anos da Universidade da Califórnia em Davis.

Avi Ehrlich, estudante de jornalismo na Universidade Estadual da Califórnia em Sacramento, foi mais direto: "Conseguimos exatamente o que queremos, quando queremos, em vez de deixar que alguém decida quais são nossas necessidades." Mas a mídia não está pronta para desistir dos jovens. Ela continua a se debater com os motivos pelos quais uma geração (alguns dizem duas) simplesmente não está "consumindo" notícias.

A frustração, no entanto, aparece. "Eles não dão a mínima", diz Michael Rosenblum, produtor de TV e professor da Universidade de Nova York, que em agosto ajudou a lançar o Current, canal a cabo digital promovido por Al Gore e dirigido aos jovens. "Eles são tão desconectados das notícias que não existe base intelectual na qual se apoiar. Tenho 350 alunos na Universidade de Nova York, uma boa escola. Eles são inteligentes. Mas não têm senso histórico ou do que é notícia. Há uma desconexão entre as realidades de suas vidas e o que as notícias apresentam."

Kevin Krim, diretor do blog Livejournal, diz que a fragmentação das fontes de informação dificulta ainda mais a conquista dos jovens. "Esses garotos são hiperconectados, com cinco janelas de mensagens instantâneas abertas ao mesmo tempo no computador, a TV ligada, um vídeo baixando no laptop e o livro da lição de casa aberto", afirma Krim. "Como competir com isso?"

Outro obstáculo, diz Jim Morris, produtor-executivo do Channel One (noticiário transmitido para escolas no país todo), é que os jovens não aprenderam a distinguir entre produtos noticiosos sérios e blogs de opinião, ou mesmo sites de fofocas. "A difícil tarefa da grande mídia é fazer com que as notícias sejam relevantes para eles", afirma Morris.

A convergência de "sistemas de distribuição de informação", dizem Morris e outros, pode ser a solução. "Os jovens estão menos interessados na 'notícia', mas continuam extremamente interessados na informação", diz Ellin O'Leary, diretora-executiva da Youth Radio, em Berkeley. "Eles crescem em meio a uma tremenda revolução da informação. Estão misturando mídias e formatos."

   


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