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Sábado, 4 fevereiro de 2006   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  AOL encerra operações no País

Gigante nos EUA e um dos maiores provedores do mundo, empresa fracassou no Brasil

Carlos Franco
Renato Cruz

Depois de uma longa agonia, a AOL Brasil encerra as suas operações no País em 17 de março. Foi essa a informação que um dos maiores provedores de internet do mundo, do Grupo Time Warner, passou a postar ontem aos seus assinantes, sem nenhum estardalhaço, bem diferente de quando chegou ao Brasil, em 1999. Naquela época, quando os negócios de internet atraíam pesados investimentos e uma ciranda financeira nas bolsas, a AOL prometia ser o maior provedor de internet do País e da América Latina, por meio da AOLA, como a empresa designou sua operação na região. Chegou a conquistar 50 mil assinantes em três semanas, distribuindo CDs e oferecendo a experimentação de serviços aos usuários.

O comunicado da quinta-feira à noite, no portal da empresa, e o aviso de ontem aos preocupados assinantes do serviço, soou distante das pretensões da empresa, que em seu auge comprou a Time Warner, que temia perder o bonde da história na distribuição de conteúdo. "A partir de 17 de março de 2006, não estarão disponíveis o acesso ao conteúdo do portal AOL Brasil nem os serviços oferecidos pela AOL Brasil. Todos os seus arquivos gravados no disco virtual, no blog, ou no álbum de fotos da AOL, serão apagados", avisava, assumindo o compromisso de após essa data apenas a conta de e-mail continuar ativa, ainda assim apenas para os que assinarem o Terra, da Telefônica. Quem migrar para o Terra poderá usar o endereço eletrônico com final @aol.com até 31 de junho.

O acordo entre o Terra e a AOL foi anunciado em 22 de dezembro, mas só agora começa a ser concretizado, depois que a empresa pediu autorização à Justiça americana para vender seu principal ativo no Brasil e na América Latina: a carteira de clientes. Antes desse acordo, a AOLA, sediada em Fort Lauderdale, cidade próxima a Miami (Flórida, EUA), protocolou em 24 de junho um pedido de concordata a um tribunal federal do Estado de Delaware, no norte dos Estados Unidos, antecipando que a gigante estava para virar pó.

No pedido, a empresa, fundada em 1998, revelava que tinha ativos de US$ 28,5 milhões e US$ 182 milhões em dívidas. A maior fatia da dívida, de US$ 161,6 milhões, era com os controladores Time Warner e America Online. Após esse pedido de concordata e procurando uma solução para salvar o negócio, a empresa pediu autorização da Justiça para transferir essas operações à espanhola Telefônica, dona do Terra. Foi autorizado. Pelo acordo, o Terra pagará entre US$ 760 mil e US$ 1,9 milhão à AOL Latin America. O valor deve oscilar levando-se em conta o total de usuários que migrarem da AOL para o Terra.

A agonia daquele que seria o maior negócio de internet da América Latina, a AOLA, resultado de acordo com os grupos venezuelano Cisneros e brasileiro Banco Itaú, começou em março, com um aviso da própria AOLA aos investidores, por meio da SEC, a similar americana da brasileira Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que funciona como um "xerife" do mercado de capitais. Naquele momento, a AOLA já indicava que nunca havia registrado lucro na operação e, sem conseguir dinheiro novo para sustentar o negócio, tinha como única saída a venda dos ativos.

Desde o pedido de concordata, com o fechamento de suas redações locais, que davam colorido ao conteúdo do portal, a operação brasileira passou a perder fôlego. E os acionistas a perder o estímulo de prosseguir no negócio. Em novembro, a Justiça americana aprovou o fim das ações de marketing entre a AOL Latina America e o Itaú. O banco havia feito grande esforço de captação de assinantes, com venda de assinaturas nas suas agências e uma política de descontos, na tentativa de salvar a operação.

   


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